“Tudo começou no Centro Cultural Veras, a poucos metros daqui. Mal sabia eu que aquela promessa de ano novo realmente ganharia vida. Me matriculei nas aulas de yoga com uma vontade simples: me aproximar de pessoas ligadas à arte para expandir e criar junto.
Aos poucos, a cada semana, uma nova aluna passava a compor a “Sangha”, como dizia Andressa. Para quem não conhece o termo, Sangha vem do budismo e se refere a uma comunidade de praticantes unida por um objetivo comum. É um espaço de apoio mútuo, de cultivo da atenção plena e de cura.
Eu faço questão de trazer essa definição porque eu não sabia o que era até fazer parte de uma. É diferente de um grupo de amigas ou de um coletivo qualquer. Existe um sagrado ali. E foi assim que tudo começou, e é assim que continuamos, pois cá estamos.
O tempo passou e as afinidades se desenharam. Eu e a Sara nos reconhecemos na literatura e começamos a rascunhar projetos. O que vocês veem materializado hoje, inicialmente, era para ser um sarau, mas não obtivemos o apoio necessário. Depois, tentamos um curso de edição de livros que aconteceria aqui no Coworking do Spot Markt, esperando que uma publicação coletiva nascesse dali. Também não tivemos inscritos suficientes.
Poderíamos ter desanimado, mas a chama de fazer algo da, com e para a literatura não se apagou.
Numa saída de aula, eu, Sara e Andressa decidimos tomar um café para planejar uma chamada aberta e encontrar autoras interessadas em publicar numa coletânea. A Andreia nos viu saindo e perguntou: “Aonde vocês estão indo?”. Contamos o plano e ela disse sem hesitar: “Eu vou com vocês”. Em duas horas, em uma mesa do Crunch Mama, o plano de ação nasceu rabiscado em um guardanapo.
Fizemos a lição de casa. Lançamos a chamada e, em pouco mais de 24 horas, já tínhamos o grupo de mulheres formado. O que aconteceu depois foi um processo de seis meses de uma fluidez rara. Através de um grupo de WhatsApp, eu, como Editora e Diretora Editorial ao lado de Sara, que também foi organizadora, conduzimos estas mulheres com os passos que conhecíamos, mas a construção foi democrática e envolveu todas no processo. Foram enquetes, revisões coletivas, trocas intensas e, acima de tudo, honestas.
Nove mulheres que decidiram que seus escritos não precisavam mais ficar guardados “na gaveta”.
Hoje, Sob a Pele do Agora deixa de ser um arquivo digital para se tornar público. Esta obra, publicada pela NVLO, é o resultado de uma força ancestral que se renova quando mulheres decidem não esperar por permissão para dizer o que sentem. Esta antologia prova que a literatura independente é o território onde a nossa autonomia floresce.
Não estamos apenas lançando um livro; estamos fincando uma bandeira no agora. Estamos validando nossas memórias e exercendo o máximo da nossa liberdade: a de sermos autoras e donas do nosso próprio registro histórico.
Sejam bem-vindos à nossa Sangha literária.
Namâste!”
– Texto lido por Juliana Polippo no lançamento do Sob A Pele do Agora na Sur Livraria no dia 05/03/26 – Florianópolis.
A seguir deixo vocês com as fotos do evento para apreciação.:











Autoras
Laura Biasi
Juliana Polippo
Camila Collato
Yasmine Holanda
Andreia Passos
Andressa Sampaio
Sara Iriarte
Kelly Bueno
Índigo Blue
Capa
Fran Farias
Diagramação
Alinne Paula da Silva
Organização
Sara Iriarte
Editora
Juliana Polippo
Direção Editorial
Juliana Polippo
e Sara Iriarte
Livros à venda na Sur Livraria no Córrego Grande em Florianópolis/SC.
R$ 39,90

Boa leitura!
Fotos do evento: Pedro Lisboa
Foto da capa deste post: Laura Biasi



